A imagem do cientista que você vê nos filmes influencia o modo como você vê a ciência no mundo real?? A resposta a esta pergunta está no artigo de Nora Bär, A Ciência no Cinema, disponível no jornaldaciencia.org.br . No artigo, Nora fala desde 1092, quando Georges Méliès fez o filme Viagem à Lua, que o "cinema tem um romance meio atormentado com a ciência".
Isso por que, pasmem, entre 1931 à 1984, dos mil filmes de terror projetados na Grâ-Bretanha, 41% tinham os cientistas e a ciência como criadores do mal nas histórias. Isso quer dizer que mais de 400 filmes de terror exibidos no período tem um cientista vilão. Para a autora, a inclinação de retratar a ciência como vilâ e seu trabalho como uma atividade potencialmente perigosa está influenciando a imagem que o público forma da ciência.
Nesse ponto concordo com a opinião do sociológo alemão Meter Weingart, que diz que o fenômeno deve ser estudado. Ele diz que a descrição da ciência e do conhecimento científico (nos filmes) parece sugerir que (eles) são especialmente problemáticos da cultura popular.
Mesmo assim, acredito que, ainda que os filmes persistam em mostrar determinado estereótipo, a imagem de Fransktein e de Dr. Jeckyll e Hide, me parece tão fantasmagórica que não me leva a crer (enquanto espectadora) na ciência como algo que aconteça dessa forma mostrada pelos filmes, especificamente.
Uma coisa é certa, a ciência produz grande fascínio em seus telespectadores e nos que fazem o cinema. Mas, veja algumas conclusões da pesquisa feita por Weingart:
- o cientista típico dos filmes de Hollywood é em 96% dos casos, branco;
- Em 49% dos filmes o cientista é norte-americano e em 82% é homem;
- Um terço dos cientistas que aparecem na telinha são solteiros ou tem algum problema na vida afetiva.
Ainda assim, a ciência é tratada como algo confiável por boa parte dos filmes, mas o cientista, coitado, as vezes é bom, as vezes inocente, muitas vezes se misturam aos interesses dos poderosos se tornando vítimas deles, em outras oportunidades são idealistas, corruptos, ambiciosos e vão perdendo de vista as consequências de seu trabalho. Muitos deles não se importa com a ética quando o que está em jogo é adquirir novos conhecimentos.
O sociólogo diz ainda que um quinto dos filmes retrata a ciência como uma atividade secreta que se desenvolve em lugares mais secretos ainda. Nora Bär termina seu artigo dizendo que espera para ver e crer que um dia o cinema possa retratar a ciência de forma mais próxima da realidade. E você, em que acredita?

Jackie, parabéns pelo seu trabalho. Ele só vem confirmar o que todos já sabem: a sua inteligencia e conhecimento profundos. Serei seu leitor assiduo e vou seguir suas dicas de filmes e livros. Um abraço!
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