quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Enquete!!!

A produção artístico-cultural no Brasil é feita pra quem?

Estava lendo um livro de Jean Claude-Bernardet, teórico do cinema, cineasta e escritor brasileiro, sobre o cinema no Brasil. Para ele, as produções artísticas no nosso país são feitas por e para a classe média. Ele escreveu isso em 1966, mas cabe como uma luva para a atualidade. Em pleno século XXI o consumo cultural, apesar de ter aumentado consideravelmente, continua se dirigindo aos grandes centros e às pessoas com poder aquisitivo para consumir.

Duas afirmativas chocantes de Bernardet (IMHO):

- Pode acontecer, que elementos das classes operárias ou camponesas se tornem artistas, mas são sempre individuos isolados, cuja produção é logo consumida pela classe média, a qual passam a se dirigir e pela qual são absorvidos.
- A produção cultural é marcada (no Brasil) principalmente pelo fato de sua situação, de seus reais interesses e problemas a resolver, pois consciência social e interesses não podem coincidir.
Para Bernardet, as classes que trabalham com as mãos, operários e camponeses, ainda não possuem consistência e bases suficientes para elaborar uma cultura que não seja folclórica. Já reparou como a arte do cinema só é acessível pra quem tem posses? É o chamado mercado de luxo – espelhos, tapetes, requinte. Não costumamos perceber essas coisas, mas podemos incentivar que a produção cultural seja acessível à todos.
Dica de hoje: Já ouviu falar do filme-documentário Super Size Me? Um filme onde um "louco" resolve passar um tempo se alimentando só de carne, só pra ver o que acontece? Resultado: ao tentar demonstrar com uma experiência os malefícios do fast-food, utilizando-se como exemplo o McDonald's, o diretor do filme passou um mês se alimentando apenas dos ítens do cardápio da rede. Ao final estava mais gordo e com o colesterol mais alto. Agora foi a vez de fazer o contrário. Um repórter da revista Visão, de Portugal, resolve passar um tempo a base de uma dieta vegana. O relato é engraçado, mas só à título de informação, ele seguiu a dieta meio na doida, sem os devidos cuidados que uma dieta vegetariana, e principalmente a vegana, necessitam. Bom, mas fica a dica, relatos de um pretendente à vegan:

Um comentário:

  1. Oi Jackie,

    acho que não concordo com o que você escreveu. Você faz parecer que a cultura dita "erudita" é superior à cultura popular e às manifestações folclóricas, que refletem sempre os mitos, os ritos e os artefatos invisiveís que compoem o "dna" de determinado lugar. Realmente, os pobres não tem acesso ao cinema dado que essa é uma caracterísitca própria do capitalismo, expropriar os detentores da mão de obra do fruto de seu trabalho. Ou seja, e existem câmeras e microfones é porque, com certeza tem algum pobre que vendeu sua força de trabalho e que não tem acesso ao produto final. Como te disse antes, nosso cinema, acredito, ainda engatinha, tateia, buscando sua própria identidade, mas, nem todas suas manifestações são da e para a classe média.

    Talvez tivesse mais pra falar, mas, minha cabeça está um turbilhão de pensamentos, estou chorando a morte de alguém que era uma mãe pra mim... então, prefiro comentar mais depois!

    Beijos!

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