terça-feira, 15 de abril de 2008

Sobre cavalos-marinhos

Originário dos oceanos Atlântico (das Canárias ao Mar do Norte) e Mediterrâneo, o cavalo-marinho é um dos bichos mais intrigantes do mundo aquático. Alvo da pesca abusiva, esses peixes tem diminuído em todo o mundo. Segundo o site Ambiente Brasil, dados brasileiros sobre pesca de peixes ornamentais marinhos não são conhecidos ou divulgados. Não há controle sobre a pesca para o comércio interior ou para a exportação e não existe lei, em âmbito nacional, de proteção a tais peixes.

Entretanto, sabe-se que a pesca do cavalo marinho é abusiva. Os locais de criadouro natural não são respeitados, nem idade ou sexo dos espécimes coletados. São jovens que saem do mar antes de estarem aptos a reproduzir, bem como adultos maduros sexualmente e muitos machos já grávidos, que invariavelmente perdem seus filhotes, ainda dentro da embalagem plástica de viagem, devido ao estresse a que são submetidos, ou nos aquários das lojas que não são adequados a recebê-los.
Cavalos-marinhos são peixes ósseos, que tem o corpo coberto por placas dérmicas para servir de proteção contra os inimigos. Normalmente esses peixes se mantêm na posição vertical e utilizam a barbatana dorsal como único meio de propulsão. Vivem em águas temperadas e tropicais e possuem uma cabeça alongada com filamentos que lembram a crina de um cavalo. Podem mudar de cor, como os camaleões e mexer os olhos independentemente um do outro. Alimentam-se basicamente de pequenos vermes, moluscos, crustáceos e algumas espécies de plânctons. Em todos os oceanos existem cerca de 32 espécies de cavalos-marinhos, todas pertencentes ao gênero Hippocampus, da família Syngnathidae.

Quase todas as espécies encontram-se hoje ameaçadas de extinção, numa lista da União Internacional para a Conservação da Natureza, incluindo as duas espécies ocorrentes no Brasil: Hippocampus erectus e Hippocampus reidi. No Brasil são estas as únicas espécies de cavalos-marinhos, sendo o Hippocampus reidi de focinho longo e o Hippocampus erectus de focinho curto. Ambas distribuem-se de norte a sul do país, mas alcançam maiores densidades nas regiões tropicais, podendo ser encontradas em estuários com ou sem manguezal, baias, recifes, entre sargaço no mar próximo ao continente. As espécies estão sob tutela do Ministério Público, pois apesar de ameaçadas de extinção, não possuem leis específicas de proteção.
Atuante desde 1994, o projeto Hippocampus vem estudando os cavalos-marinhos brasileiros. Segundo Rosana Beatriz Silveira, coordenadora do projeto, o amor pelos peixes foi o que deu origem ao trabalho. “Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde me formei bióloga, fiz um ano de aperfeiçoamento e após, no Departamento de Zoologia, mestrado em biologia animal com cavalos-marinhos, foi onde obtive apoio para iniciar oficialmente os estudos científicos sobre estes peixes”, conta. Para ela, a oportunidade foi essencial para criar também o Labaquac, Laboratório de Aqüicultura Marinha, pessoa jurídica responsável pelo Projeto Hippocampus. “Desde 2002 o projeto Hippocampus instui um processo administrativo instaurado pelo 1°OTC/MPF-PRPE nas questões de preservação das espécies brasileiras de cavalos-marinhos. Em 2007, assinamos um convênio com o IBAMA para trabalharmos em parceria nestas questões de preservação”, diz.

Com o projeto Rosana lista bons resultados na preservação dos cavalos-marinhos no Brasil. “Os dados obtidos e os ainda por coletar deverão compor um plano de manejo para as espécies brasileiras de cavalos-marinhos. Colocamos à disposição do IBAMA e do MPF, dados sobre o período reprodutivo, fertilidade média, fecundidade média, tempo de incubação, dos ovos pelo macho, intervalo entre cópulas de um mesmo casal, idade de primeira maturação sexual, sugestão de tamanho mínimo para pesca comercial, sugestão de um período de defeso”, relata a pesquisadora. Esses dados servem de apoio na educação ambiental e conscientização das populações em geral.

O Hippocampus possui em Pernambuco uma sala de visitação, exposição de aquários, com palestras sobre a vida dos cavalos-marinhos e exibição de DVD’s. “Mantemos parceria com a Pastoral da Criança de Porto de Galinhas, cujo grupo de mães desenvolve o projeto Geração de Renda, confeccionando artesanato vendido na lojinha do projeto”, diz Rosana, que relata ainda as dicas para a população ajudar na preservação dos cavalos marinhos. Confira:

- não colete ou mantenha cavalos-marinhos em aquários, pois eles são exigentes quanto à alimentação, são carnívoros e caçadores, alimentando-se de presas vivas.
- a conservação do ambiente natural desses peixes é de suma importância para sua preservação, portanto, evite jogar lixo nos manguezais e poluir o ambiente natural desses peixes.

Aprenda sobre eles:
- cavalos-marinhos são tão sensíveis, que quando um manguezal não abrigar nenhum podemos desconfiar do estado de conservação da água.
- dentro do manguezal, estes peixes costumam ficar “ancorados” nas raízes do mangue, possuem o que chamamos de fidelidade local, ou seja, o mesmo individuo pode ser encontrado no mesmo local por diversos dias.
- além da baixa mobilidade, eles nada de forma lenta, comparando-se aos demais peixes, pois sua morfologia externa não é exatamente hidrodinâmica.

Saiba mais sobre cavalos-marinhos:
Site Ambiente Brasil: http://www.ambientebrasil.com.br/
Amigos dos Animais:
http://www.petfriends.com.br/enciclopedia/esp_peixes/peixes_enciclopediacavalomarinho.htm
Contatos - Projeto Hipocampus
End: Rua Saberé s/n, Praça Sete, Porto de Galinhas, Ipojuca, PE. 55590-000Tel: (81) 3552-2990.E-mail: projetohippocampus@yahoo.com.brlabaquac@yahoo.comCoordenadora: Rosana Beatriz Silveira.
Instituto Ecológico Aqualung Rua do Russel, 300/401. Glória. Rio de Janeiro – RJ Cep. 22210-010 (21) 2558-3425/ 2558-3429/ 2556-5030.

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